PT —  LARRY ROMANOFF — A Lei Americana de 1934 sobre a Compra da Prata  — July 06, 2021

 

A Lei Americana de 1934 sobre a Compra da Prata


Por 
LARRY ROMANOFF –14 de Setembro de 2020 


Tradução em exclusivo para PRAVDA PT

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Steve Hanke, Professor de Economia da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, escreveu um bom artigo sobre este tema na edição de Novembro de 2010 da Globe Asia, intitulado “America’s Plan to Destabilise China – Currency“: “O Plano da América para Destabilizar a China – Moeda de Câmbio”. Está disponível online e vale a pena lê-lo. [1] 

A 9 de Agosto de 1934, o Presidente Roosevelt promulgou outro Decreto-Lei, desta vez com o número 6814, chamado The Silver Purchase Act (Lei da Compra da Prata) [2]que especificava essencialmente duas questões:

Primeira – A apreensão de toda a prata nos EUA,

Segunda – Um enorme programa de compra de prata no mercado aberto, quase três vezes superior ao preço de mercado então vigente.

De qualquer ponto de vista racional, esta acção foi bizarra. 

Baseado no pretexto falso de estar sob pressão dos produtores nacionais de prata (que não estavam, de modo nenhum a sofrer), Roosevelt desafiou as críticas esmagadoras de todos os lados ao fazer cumprir este Decreto-Lei (originado pela FED) que obrigou o Tesouro (ou a FED) a comprar prata a um preço de, pelo menos, 1,29 dólares por onça, que era quase o triplo do preço do mercado de então, de 45 cêntimos. O governo dos EUA nacionalizou, de facto, as acções de prata dos EUA, mas pela compra dessa prata aos americanos ao preço antigo de 0,45 dólares. Só depois desta aquisição é que o Tesouro se ofereceu para comprar a prata ao preço muito mais elevado. Esta acção aspirou biliões dos escassos fundos governamentais no auge da Grande Depressão, quando a maioria dos americanos lutavam para sobreviver e evitar a fome e a falência. O povo pagou um preço enorme por uma política sem benefícios aparentes para ninguém. Os produtores de prata beneficiaram marginal e temporariamente, mas toda a indústria empregava apenas alguns milhares de pessoas, pelo que este programa maciço não se destinava definitivamente a essas mesmas pessoas, não obstante a narrativa da propaganda.

Mas a natureza bizarra desta política da Compra da Prata é ainda mais estranha. A legislação autorizava principalmente o Tesouro e o FED a comprar prata “de países estrangeiros” no mercado aberto – na Bolsa de Futuros de Nova Iorque. Mas essa compra no “mercado aberto” nunca ocorreu. Tudo o que precisamos de fazer é pensar. Nem mesmo um louco gastaria dinheiro a comprar algo a $1,29 quando essa mercadoria estava amplamente disponível nos mercados mundiais em todo o mundo a $0,45. Então, o que é que estava realmente a orientar esta nova política?

Bem, para além da história disparatada e claramente fabricada de ajudar os produtores de prata nacionais, havia outra intenção caridosa – “ajudar” a China, um plano que estava a ser elaborado há vários anos. Como Steve Hanke observou: 

“… a China utilizava o padrão da prata. Os interesses da prata afirmavam que preços mais elevados da prata – que trariam consigo uma apreciação do yuan em relação ao dólar americano – beneficiariam os chineses ao aumentar o seu poder de compra. Como relatou uma comissão especial do Senado dos EUA em 1932:

“A prata é a medida da sua riqueza e poder de compra; funciona como uma reserva, como a sua conta bancária. Esta é a riqueza que permite esses povos comprar as nossas exportações”.

Até essa altura, a China tinha mantido durante centenas de anos, o padrão da prata para a sua moeda, a única moeda no mundo totalmente apoiada por metal precioso e responsável pela criação de uma base económica sólida e estável. Foi por esta razão que a China conseguiu escapar por completo à Grande Depressão que assolava o resto do mundo. A política de prata americana deu, naturalmente, um golpe devastador a esta estabilidade secular porque os americanos não estavam a comprar prata de países estrangeiros no mercado aberto, mas apenas na China, através dos bancos americanos como Citibank, Morgan e Chase. Estes agentes americanos ofereceram aos chineses três vezes o preço de mercado pela sua prata, resultando naturalmente numa inundação de prata que fluía para estes bancos e de lá para ser enviada para os EUA.

 É claro que o primeiro efeito, foi que a taxa de câmbio entre o dólar americano e a moeda chinesa entrou em crise. O elevado preço da prata tornou, de facto as importações mais baratas, mas as exportações do país entraram em declínio total e o PIB caiu quase instantaneamente, cerca de 25%. O segundo resultado foi que a inundação de prata atraída para os bancos americanos foi imediatamente enviada para fora da China, acabando por destruir o suporte padrão de prata da moeda chinesa, o que destruiu o sistema financeiro da China e deixou a economia num caos. Seguiu-se uma deflação maciça que destruiu o sector agrícola e deixou milhões de agricultores e camponeses subitamente desamparados. Pior ainda, a maior parte das empresas suportava uma dívida com o apoio da prata que agora teria de ser reembolsada pelo triplo do seu valor; claro que nenhuma empresa tinha o fluxo dinheiro vivo para pagar essas obrigações e inúmeras dezenas de milhares delas faliram, destruindo o mercado de trabalho. O sistema financeiro total da China estava também à beira do colapso, o que serviu para despejar subitamente a China no meio da Grande Depressão, eliminando décadas de esforço doloroso para reconstruir a nação após um século ou mais de pilhagem efectuada pelo Ocidente. Nessa altura, a China não teve outra escolha senão abandonar o padrão de prata e adoptar uma moeda de papel. 

A China tentou aplicar abertamente, controlos severos às exportações de prata, mas os mesmos foram em grande parte mal sucedidos, porque a maior parte da prata foi contrabandeada para fora da China através dos bancos americanos – Citibank, J. P. Morgan e Chase – que estavam imunes aos regulamentos de exportação chineses e que tinham à mão os serviços dos militares americanos com os seus navios de guerra, para transferir a prata para fora da China sem que houvesse qualquer obstáculo legal.

Cito Hanke novamente:

“Numa tentativa de assegurar o alívio das dificuldades económicas impostas pelas políticas dos EUA a respeito da prata, a China procurou obter alterações no programa de compra da prata do Tesouro dos EUA. Mas os seus apelos caíram em ouvidos moucos. Após muitas respostas evasivas, a Administração Roosevelt indicou, finalmente, a 12 de Outubro de 1934, que estava apenas a executar uma política mandatada pelo Congresso dos EUA. As coisas não funcionavam como Washington anunciava. No entanto, funcionou como “planeado“. Quando subiu o preço da prata em dólares, o yuan valorizou-se em relação ao dólar. Em consequência, a China foi atirada para as mandíbulas da Grande Depressão”.

Um autor compasecido escreveu: “Que loucura económica – e falta de estatismo, poder-se-ia dizer – foi dar prioridade ao bem-estar de 5.000 pessoas [produtores de prata] à custa do público americano e dos 450 milhões de chineses que nada fizeram para convidar esta miséria. Escusado será dizer que a factura da compra da prata foi uma medida de economia inadequada. Mas também foi uma política cruel. O prejuízo que causou estendeu-se muito para além da esfera económica. Propagou-se às relações EUA-China”. Sentimentos louváveis, mas bastante ingénuos.

 Então, quem ganhou? Os bancos americanos e a cabala dos banqueiros judeus europeus que controlavam a Casa Branca e a economia mundial. A economia da China estava a crescer e o país estava a emergir em força para além da capacidade dos banqueiros para a conter, pelo que algo tinha de ser feito para manter a disparidade de rendimentos entre o Império e os camponeses. O Grande Prémio foi a destruição permanente da moeda da China apoiada na prata e o retrocesso do progresso económico da China durante talvez vinte anos. Os produtores de prata americanos lucraram durante pouco tempo, mas o povo americano perdeu fortemente quando o seu governo (a pedido da FED estrangeira e dos seus banqueiros judeus europeus) desperdiçou biliões de dólares para fazer ruir a economia da China em vez de reconstruir a da América, esta política provavelmente prolongou a depressão durante anos. Talvez o único bom resultado tenha sido que este fiasco contribuiu de forma significativa para o colapso da confiança pública em Chiang Kai-Shek e no seu governo nacionalista apoiado pelos EUA, abrindo caminho para que Mao assumisse o controlo e expulsasse todos os estrangeiros (e os judeus) da China.

Considero inquietante que ainda hoje a narrativa padrão em todos os livros de História e de Economia americanos comece com: “Embora a Lei de Compra da Prata tenha sido concebida principalmente como um programa de apoio aos produtores de prata dos Estados Unidos …”.

Para acrescentar algum contexto adicional a este assunto, o governo nacionalista de Chiang Kai-Shek ainda controlava a China durante este período, com forte apoio do governo e dos militares dos EUA e, enquanto o governo dos EUA trabalhava para destruir a economia da China a partir do exterior, T. V. Soong, educado na America e leal ao governo americano, estava a ajudar Chiang a destruir a China a partir do interior. Duvido francamente que Chiang tivesse uma grande compreensão de Economia ou de algo mais, mas Soong era brilhante e, sob a sua orientação, Chiang conseguiu rapidamente nacionalizar toda a banca chinesa, manuseando depois o governo, quase inteiramente endividado, contribuindo assim para que a economia se desmoronasse. 

E foi Soong que, em 1928, fundou o “Banco Estatal da República da China”, um novo Banco Central Chinês (judeu) de propriedade estrangeira que foi padronizado no FED dos EUA. Foi também Soong que promoveu o programa de Compra da Prata dos americanos, que depois adoptou uma moeda de papel, e forçou todos os chineses a entregarem a sua prata ao novo Banco Central de Chiang – um banco que, convenientemente, estava isento de restrições à exportação da prata. Poder-se-ia concluir que tanto Chiang como Soong estavam envolvidos na exportação da prata do seu próprio país para os EUA, tudo em conformidade com o plano sionista para a China.  

Foi esta parceria que finalmente selou a desgraça do governo de Chiang enquanto quase destruía a China no processo. Mas, mais uma vez, foi este processo que abriu caminho para que Mao ganhasse um apoio esmagador e o controlo do país por parte dos americanos e dos banqueiros judeus, e o colocasse de novo nas mãos do povo chinês.

A Primeira Guerra Mundial pôs em prática um final ao comércio do ópio e ao rapto de chineses para serem vendidos como escravos, ambos operados pelas mesmas famílias judias na China – Rothschild, Sassoon, Kadoorie, Hartung e outros, e este esforço usando T. V. Soong como agente interno num governo chinês controlado pelos EUA, foi a tentativa final de roubar toda a riqueza restante da China. Foi feito em conjunto e em cooperação com o Citibank, J. P. Morgan e outros bancos judeus, para aliviar o governo chinês e todos os cidadãos chineses de todo o seu stock tanto de ouro como de prata. Quase conseguiram. Se não fosse a ascensão de Mao Tse Tung, a China seria hoje um poço de miséria. 

Acrescentaria que Soong era suficientemente brilhante para compreender precisamente o que estava a acontecer, e suficientemente capaz para tê-lo impedido, se se tivesse preocupado em fazê-lo. Não pesquisei completamente Soong, mas todas as provas sugerem que ele era um agente judeu-americano, uma espécie de sionista chinês, a trabalhar a partir de dentro. Claro que este homem não era tão estúpido a ponto de não compreender os resultados das suas próprias acções de assistência a Chiang com a adopção de uma moeda fiat em papel e uma colecção de bancos nacionais falidos que recorriam à impressão de dinheiro como substituto das receitas.

Devido ao saque da maior parte da prata da China paga três vezes acima do valor do mercado, o governo nacionalista de Chiang teve de imprimir tanta moeda que o dinheiro depreciou-se por um factor de mais de 1.000, resultando numa hiper-inflação devastadora, tudo sob o olhar atento de Soong. Foi tão mau que as impressoras de moeda do governo não conseguiram manter o ritmo necessário, e a moeda chinesa estava a ser impressa em Inglaterra e voou para a China sobre os Himalaias em aviões militares C-47 dos EUA.

Só para que não fique por dizer, os EUA estavam a tentar algo semelhante no período após 2005, produzindo durante uma década uma quantidade quase esmagadora de ruído dos meios de comunicação e de pressão política, a fim de forçar outra reavaliação maciça e ascendente do RMB, na base fraudulenta de que a moeda chinesa estava “pelo menos 25% a 40% subvalorizada”. Se a China tivesse acedido a esta pressão, o país teria caído nas profundezas de mais uma depressão grave – o que, na realidade, era o objectivo desse plano. 

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A obra completa do Snr. Romanoff está traduzida em 32 idiomas e postada em mais de 150 sites de notícias e de política de origem estrangeira, em mais de 30 países, bem como em mais de 100 plataformas em inglês. Larry Romanoff, consultor administrativo e empresário aposentado, exerceu cargos executivos de responsabilidade em empresas de consultoria internacionais e foi detentor de uma empresa internacional de importação e exportação. Exerceu o cargo de Professor Visitante da Universidade Fudan de Shanghai, ministrando casos de estudo sobre assuntos internacionais a turmas avançadas de EMBA. O Snr. Romanoff reside em Shanghai e, de momento, está a escrever uma série de dez livros relacionados com a China e com o Ocidente. Contribuiu para a nova antologia de Cynthia McKinney, ‘When China Sneezes’  com o segundo capítulo, Lidar com Demónios”.

O seu arquivo completo pode ser consultado em https://www.moonofshanghai.com/ e  http://www.bluemoonofshanghai.com/ 

Pode ser contactado através do email: 2186604556@qq.com

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Notas

[1] https://www.cato.org/publications/commentary/americas-plan-destabilize-china

[2]https://en.wikipedia.org/wiki/Executive_Order_6814

 

Este artigo foi traduzido em exlusivo e apareceu pela primeira vez na página PT do PRAVDA

Copyright © Larry Romanoff, Moon of Shanghai, Blue Moon  of Shanghai,  2021

 Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

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